Cirúrgico, Luiz Eduardo Costa diz tudo o que precisa ser dito sobre André Moura

Não é a primeira e, certamente, não será a última vez que AndersonsBlog pede licença para republicar um texto do jornalista Luiz Eduardo Costa. A razão é simples: Luiz, além do melhor texto jornalístico sergipano, tem sacadas fantásticas ao tratar de temas variados. E mesmo quando o assunto é espinhoso, como é o caso, ler Luiz é descortinar um horizonte de dúvidas para enriquecer a própria reflexão. Neste seu Textos Antivirais (75) (leia na íntegra aqui), sob o título O STF, a Morte Política de André, e a Consequência, Luiz Eduardo Costa diz tudo o que precisa ser dito sobre a rumorosa condenação que abalou o mundo político sergipano na semana passada. À leitura, leitor e leitora, porque vale muito à pena. “Há uns quinze anos corre na Justiça esse processo que resultou na decisão do STF, matando politicamente o ex-deputado André Moura, e ainda o condenando a oito anos de cadeia em regime fechado. Convenhamos, diante do histórico das decisões do Supremo, a dosimetria revelou uma mão bastante pesada, visivelmente desproporcional, diante do que se conhece fundamentando a própria jurisprudência emanada daquela Corte. André Moura teve um inusitado protagonismo no governo de Michel Temer. Na condição de líder, ele ajudou muito a reduzir em Sergipe os impactos da crise econômica, driblando a manifesta má vontade do próprio presidente Temer, e do seu círculo mais íntimo, em relação ao governo de Jackson Barreto, e, por via de consequência, atingindo a malsinada unidade federativa, retirada da pauta das atenções do Planalto. No governo Temer a Petrobras começou a sua retirada de Sergipe, e fecharam-se as portas da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados. O polo de fertilizantes sergipano entrou em colapso, sem o suprimento do seu insumo básico, que era garantido pela FAFEN. Ao mesmo tempo, na Caixa Econômica Federal, emperrou o andamento da papelada para um pretendido empréstimo ao governo de Sergipe. Nesse ambiente adverso, movimentou-se com eficácia o deputado André Moura. Assim, conseguiu direcionar a diversas Prefeituras sergipanas recursos calculados em torno de um bilhão de reais. Uma considerável parte do reconhecido sucesso administrativo do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, deve-se ao montante de recursos obtidos através de André Moura. E isso foi feito sem que, de Edvaldo, André esperasse qualquer compromisso eleitoral. De forma surpreendente André perdeu a eleição para o Senado Federal, e, sem mandato, foi convidado pelo depois defenestrado governador do Rio de Janeiro, para tornar-se Secretário de Estado, permanecendo no cargo após a fragorosa queda de Wilson Witzel, o breve. Transitando dessa forma com invejável protagonismo pelos altos escalões da República, André não se tornou alvo de nenhuma ação por improbidade administrativa. Toda a sua desdita começou há quinze anos no minúsculo município de Pirambu, o que administrou em dois mandatos e, ao fim dos quais tirou do bolso um improvável candidato e o elegeu. O eleito Juarez, revelou-se um fracasso moral e administrativo; depois, na sua previsível queda e posterior prisão, acusou o seu benfeitor, numa delação sobre compras em acanhada mercearia de secos e molhados, feitas por ele, e, segundo asseverou, com precárias provas, por exigência de André, direcionadas ao seu uso particular. São suprimentos onde constam cervejas, enlatados e mortadelas, além de quatro servidores do município que teriam sido colocados à disposição de um escritório eleitoral do André Moura. Tudo somado, nessa mixórdia com a dimensão de mesquinhez, feita a indispensável atualização de valores desencaminhados, se alcançaria uma cifra próxima dos duzentos e cinquenta mil reais. Coisa chinfrim, diante dos vistosos peculatos da nossa incorrigivelmente peculatária “República das Rachadinhas”, cujos autores costumam passar incólumes, ou tratados com parcimoniosa condescendência. Não se quer aqui, nem de longe, engrossar o coro ensandecido do “fecha STF”, ou “degola ministros”; apesar da estranheza sobre critérios de avaliação das dosimetrias em balanças com regulagens diversas, ou reajustáveis, ao sabor de ciclotímicos humores dos senhores ministros do STF, em face de similares circunstancias. A morte política de André Moura, no cenário que antecede as eleições do próximo ano, gerou um inimaginável vácuo. Com preocupante urgência o vazio terá de ser preenchido, pacientemente, pelo bloco partidário do governador. Agora, também no campo político-eleitoral, Belivaldo Chagas é colocado diante da ousadia daquela frase que foi o mote e o norte da sua campanha em 2018: “Chegou para Resolver”.” Sem mais!

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