RPM – REAL PAIXÃO MOTORIZADA – Corolla Hybrid disponível e similar do Civic chegando: seria o fim da primazia da combustão nos ditos “carrões”?

Antes que aqueles ainda mais apaixonados pelo mundo automotivo do que AndersonsBlog venham aqui reclamar: nem o Corolla e nem o Civic, da Toyota e da Honda, respectivamente, são “carrões”, na acepção da palavra. Não se adequam ao conceito de muscles cars ou esportivos. Mas, no Brasil, podem, sim, ser chamados de “carrões”. Explica-se: como nossa indústria automotiva é obviamente dependente das gigantes mundiais, sejam elas norte-americanas, europeias ou asiáticas, e estas, estrategicamente, sempre priorizaram os modelos populares, de menor cilindrada, para abastecer o mercado brasileiro, carrões mesmo, sem aspas, só passaram a fazer parte do nosso cotidiano após a tal da globalização, à partir dos anos 90 do século passado. Antes só se viam Mustangs, Audis, BMWs, Camaros, Lancers e muitos outros modelos com os volantes nas mãos de quem tinha muita grana para realizar a importação individualmente. Justamente por isso que, dentre os veículos fabricados e/ou montados no Brasil, sedãs médios passaram a merecer a alcunha de “carrões”, caso do Opala, da GM, nos anos 70; do Santana, da VW, nos anos 80; e do Marea, da Fiat, nos anos 90 do século passado, exemplos mais do que clássicos. E essa forma de alcunhar os sedãs médios sobrevive até hoje. Por isso mesmo que o Corolla, da Toyota, e o Civic, da Honda, não apenas são chamados popularmente, como também são, efetivamente, considerados “carrões” – levando em consideração uma série de fatores como preço, design, desempenho e um componente ainda mais importante: a admiração do público em geral por tais modelos.

E?

Dessa forma, chegamos ao cerne da questão desta edição da RPM: será que a era da mobilidade por combustão, fóssil ou renovável, ou pelo menos da exclusividade deles para esses tais “carrões”, estaria chegando ao fim?

Razões

Levando-se em consideração os acordos para redução de emissões de carbono, o avanço na eletrificação dos veículos é uma realidade. Mas, aqui, vale destacar: tanto o Corolla em questão, já no mercado, quanto o Civic, à chegar, não são carros elétricos, são híbridos! E o que isso quer dizer? RPM tentará simplificar.

Comecemos pelo Corolla Hybrid

Já disponível e rodando por aí, o Toyota Corolla Hybrid, cuja versão topo de linha é a Altis, possui três motores distintos: um a combustão e dois elétricos. E é justamente o movido a combustão, nesse caso a gasolina e/ou a etanol, que alimenta os demais, recarregando as baterias de ambos. E claro que estes dois contribuem na mobilidade, ajudam a reduzir as emissões e são responsáveis pela economia na hora do abastecimento, dos números finais nas bombas dos postos de combustíveis. Mas, mesmo com tudo isso, o modelo é dependente da combustão proporcionada pela gasolina ou pelo álcool, ora bolas!

Passemos ao Civic e-HEV

Com previsão de chegada ao mercado nacional no terceiro semestre de 22, importado da Tailândia pela Honda, o modelo híbrido da montadora, o Civic e-HEV, só não tem em comum com seu similar da Toyota a possibilidade de ser abastecido com etanol. No mais, tudo igualzinho: três motores, um a combustão e dois elétricos, sendo que estes dois últimos são recarregados também pelo motor que é, invariavelmente, abastecido nos mesmíssimos postos de combustíveis que todos conhecemos. Reduz emissões? Ok! Aumenta economia? Sim! Mas, assim como o seu futuro concorrente direto, segue dependente de um tradicional abastecimento, nesse caso exclusivamente de gasolina, para poder rodar por aí!

Resumão do AndersonsBlog

Sem tergiversar: nem o Corolla Hybrid e nem o vindouro Civic e-HEV podem se dar ao luxo de prescindir da forma mais tradicional de abastecimento para circular. Dessa forma, a versão abrasileirada e devidamente atualizada dos chamados “carrões”, ao menos por enquanto, pode até ser considerada politicamente correta. Mas não é ecologicamente definitiva. Simples assim!

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