Entre 30 de outubro de 1969 e 15 de março de 1974 quem comandava a República Federativa do Brasil era o general Emílio Garrastazu Médici – sim, aquele mesmo que dava o nome ao estádio de futebol de Itabaiana, hoje rebatizado de Etelvino Mendonça, o Mendonção!
Enquanto presidiu o Brasil após ser nomeado pelos militares, seus pares na execução da Ditadura Militar, Médici, que também executou o mais duro período do regime de exceção, com o desaparecimento de centenas de pessoas, incluso aí o ex-deputado federal Rubens Paiva – sim, aquele mesmo do filme premiado com o Oscar pela 1ª vez na história do Brasil, Ainda Estou Aqui – nomeou o ministro Antônio Neder como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Já o Jango lá do título é o ex-presidente João Goulart, deposto do cargo em 1964, ano em que se iniciou a Ditadura no Brasil e, entre idas e vindas ao exílio, acabou morrendo em 1976 sem ver o Brasil retomar a democracia e sem poder eleger o Presidente da República através do voto popular!
Explicada a interação desses três nomes com a história do Brasil, agora voltemos ao princípio. Se nos anos 1970, os mais pesados e perseguidores da Ditadura Militar, alguém abrisse a boca e dissesse “Médici é Ladrão!” ou “Neres é ditador!” ou ainda “Jango é perseguido!”, o destino dessa mesma pessoa seria ser taxada de subversiva, de estar atentando contra o governo e, ao invés de prisão, o fim poderia ser a tortura e a morte! Simples assim! Triste assim!
Cortemos agora para 2016/17 quando Michel Temer assume a presidência após Dilma Roussef (PT) ser ‘impichada’ pelo Congresso Nacional. Um pouco antes, ali até por 2014, Joaquim Barbosa era ministro do STF, foi presidente da Casa e teve um posicionamento extremamente crítico em relação ao Mensalão, julgamento que atacava fortemente o ex-presidente Lula e seus dois governos antes de Dilma – que assumiu em 2011.
E sabe o que o povo brasileiro podia dizer livremente à época? Simples: “Temer é ladrão!”, “Joaquim Barbosa é um ditador!” e “Lula é perseguido!”. E, por essas opiniões, ninguém nem sequer chegou a ser preso! Ou seja, nesse caso a democracia prevaleceu e as instituições, embora atacadas em nome de ataques a alguns nomes, mostraram-se fortes e resilientes.
Cortemos agora para o ano da graça de 2025: o que tem de bolsonarista gritando “Lula é ladrão!”, “Alexandre de Moraes é ditador!” e “Bolsonaro é perseguido!” não é brincadeira! E por essas opiniões, alguém foi preso ou morto? Lógico que não!
E aqui é que está o cerne do julgamento que começa agora e que terá o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um dos réus: é que assim como a invasão do Congresso, do Palácio do Planalto e do próprio STF tinha um caráter golpista por intencionar criar um caos no país, é lógico que Bolsonaro e seus asseclas discutirem a possibilidade de uma intervenção militar precisava ser, como foi, investigada. E agora precisa ser, como será, julgada!
É simples demais e, vamos e venhamos, é a representação do Estado Democrático de Direito, pois os que serão julgados têm direito a defesa plena, assim como vem ocorrendo com os que invadiram Brasília no fatídico 8 de janeiro de 2023.
O resto, leitor e leitora, é narrativa para tentar ‘amenizar’ as fuleiragens que tentaram fazer contra a democracia e ponto!
Por fim, mas não menos importante, já imaginou se Bolsonaro desse um golpe e se tornasse ditador? Será que alguém poderia gritar “Bolsonaro é ladrão!”, “Bolsonaro é genocida!” ou, sei lá, uma ofensa de menor gravidade como “Bolsonaro é um bolsoNABO!” sem ser preso? Sem ser torturado? Ou sem ser morto?
Ditadura é isso: eliminar ou mesmo matar quem discorda de quem governa! Já democracia é isso: poder discordar livremente de quem governa sem ser nem sequer importunado por isso!
O resto, como dizem os mais sábios, é perfumaria!
P.S.: tem coleguinhas de Comunicação que, claramente, defendem o que Bolsonaro e sua trupe intencionavam desde 2022 quando perderam a eleição. E embora ao menos um deles seja claramente ‘chapa-branca’, não custa lembrar: ser ‘chapa-branca’ numa ditadura é aceitar até que o ditador, sei lá, resolva ‘mijar no seu bolso’ e você ter que aceitar. Porque, na boa?, imprensa livre simplesmente não existe numa ditadura! Assim, coleguinhas, se liguem: se o que será julgado tivesse dado certo e aqui tivéssemos nos tornado uma ditadura, seus empregos já tinham ido pro saco… ou, pior ainda, nossos corpos é que poderiam ir ‘pro saco’, sendo jogados em valas comuns e sem que jamais nossas famílias pudessem sequer enterrar nossos restos mortais! Acorda cambada abestalhada!
7 Comentários
Aderaldo+Prata
Só quem viveu nesses tempos sombrios, sabe dar valor a liberdade que a democracia proporciona. As escolas ajudariam muito na conscientização das novas gerações sobre os riscos de uma ditadura.
Mário Sérgio
Ditadura mata!!!
Ditadura nunca mais!!!
Maurício+Nascimento
Coisas a se refletir:
Os condenados do 08/01 têm foro privilegiado ?
Kd o duplo grau de jurisdição?
Contra decisão do Supremo cabe recurso? Pra quem ?
Um juiz que afirma “Vencemos o volsonarismo” é isento pra julgar Bolsonaro?
A vítima pode julgar o agressor sem se tornar suspeito ? Moraes seria assassinado pelos golpistas? Se sim, kd a imparcialidade? Se não, são só falácias?
Etc
Etc
Etc
Maurício+Nascimento
Porque Lula, após sair da presidência foi julgado em primeiro grau, já que não tinha foro privilegiado e Bolsonaro será julgado por um tribunal político?
Maurício+Nascimento
Na ditadura atual temos uma cabeleireira, mãe de dois filhos, presa a mais de 2 anos por ter escrito de batom a frase suprema “PERDEU MANÉ “
Anderson
Uma terrorista que merece apodrecer na cadeia. E na sequência é identificar os apoiadores do golpe e leva-los a júri também.
Anderson Farias
Excelente análise. Parabéns pela lucidez!