Duas coberturas para uma final digna do momento ascendente do futebol sergipano. Assim chegamos ao final do Sergipão 25, que garantiu ao Confiança o bicampeonato após empate neste sábado, 29, contra o Itabaiana, na Arena Batistão, por 1 a 1. E nosso colaborador esportivo, Luís Américo, traz, nessa Parte I, o jogo em si. e na manhã desta segunda, 31, mais uma postagem de Luís, sendo que a Parte II dessa saga destacará os problemas de acesso ao jogo, até mesmo para que todos os envolvidos se liguem e planejem estrategicamente os nossos próximos eventos futebolísticos que, com Confiança e Itabaiana na Série C, além e Lagarto e Sergipe na Série D, prometem muito para este ano ainda! Simbora?
“Final Sergipão – Parte I – Um Campeonato muito acima da média, uma final muito abaixo das expectativas
Luís Américo*
Um campeonato brilhante nas arquibancadas e nos gramados. Emoção em todas as fases, coroando as duas melhores equipes da competição como eleitos para a disputa final.
Melhor campanha e melhor ataque da competição, o Dragão do Bairro Industrial chegou a finalíssima como o grande favorito ao título.
Caberia ao Tremendão da Serra a tarefa de desbancar o time proletário. Armas para isso o Tricolor tinha de sobras. Segunda melhor campanha e melhor defesa da competição, o Itabaiana chegou a grande final como única equipe invicta do torneio.
Mas, mesmo jogando melhor a maior parte do tempo no primeiro jogo da final, em seus domínios, o Tricolor da Serra não foi eficiente nas conclusões e viu o Confiança arrancar importante vitória por 2 x 1, o que lhe deu uma grande vantagem para o jogo de volta. Sabor amargo em dose dupla para o Tricolor Serrano, perdendo a invencibilidade na competição e a grande chance de levar boa vantagem para a capital.
Assim como no Mendonção, as torcidas deram um show à parte nas arquibancadas, com destaque para o grande público e a bonita festa feita pelos azulinos antes do início da partida, com direito a jatos de fogo, fumaça azul e bandeirinhas alvi-anil por toda arquibancada, realmente um show à parte.
Se a torcida deu um show na arquibancada, em campo a equipe do Dragão fez o inverso, para desespero de seus torcedores. O time proletário até começou melhor a partida, mas após falta desnecessária do lateral Airton, na intermediária, matando um ataque despretensioso do Tremendão, a bola foi alçada na área por Leilson e o bom goleiro Rafael falhou feio, saindo do gol catando borboletas, a bola foi rebatida em direção ao gol azulino e bateu na trave, no rebote a zaga não isolou a pelota, que sobrou para Coppetti empurrar para as redes e abrir o placar.
A partir daí, só deu Itabaiana, que mais uma vez não teve competência para definir o jogo na primeira etapa, diante de um Confiança apático e sem vibração, enquanto o Tremendão empilhava gols perdidos. À torcida Azulina restou torcer pelo fim do primeiro tempo para vislumbrar algo melhor para a segunda etapa.
E o script não poderia ser melhor para o Dragão, que viu Breno derrubar Fábio na área e dar de bandeja um pênalti no primeiro minuto do segundo tempo.
Fábio, que se tornara pai da Maitê na manhã da partida, foi abençoado novamente com o gol do bicampeonato azulino. Menina pé quente a Maitezinha!
Com o gol, a equipe azulina abandonou de vez o controle da partida e viu o Itabaiana, na base do “vamo que vamo”, partir para o ataque sem muita organização, alçando várias bolas na área azulina e empurrando a equipe proletária pra dentro do seu gol. Mas, como no primeiro jogo, faltou eficiência ao ataque tricolor, que ainda deixou espaços para contra-ataques rápidos do Dragão, embora sem conclusões objetivas.
O final do jogo foi, tecnicamente muito ruim, assim como as duas partidas finais, mas muito dramático para tricolores, desesperados por um gol que levasse a disputa para os pênaltis, e ainda mais dramático para a equipe e para o torcedor azulino que clamava pelo fim da partida, vendo o adversário ameaçar cada vez mais. Para aumentar o desespero, o árbitro, que já havia dado 6 minutos de acréscimos, ainda deu mais 1. Porém, o placar permaneceu o mesmo.
O Dragão conquistou o bicampeonato sergipano, chegou ao seu vigésimo quarto título e se consolida como o maior campeão estadual deste século. Ao Itabaiana ficam os parabéns pela luta e pela dignidade de cair de pé.
Para as diretorias, fica o desafio de reforçar seus elencos para a dificílima Série C do Brasileirão. Para isso terão que manter suas principais peças, que serão assediadas por grandes equipes da Série B, entre outras, e garimpar novos reforços que caibam nos seus orçamentos. A essa altura, não se pode contratar aventureiros para compor elenco, tem que dar o tiro certo e contratar reforços que cheguem para o time titular.
O título premiou a melhor e mais regular equipe da competição. Mesmo sem jogar bem as finais, o bicampeonato foi mais que merecido. Porém, os jogos finais escancararam uma realidade para a equipe proletária visando a sequência da temporada. Três jogadores saíram da equipe e colocaram o Dragão num patamar bem abaixo do que aparentava estar. As saídas de André Lima (em definitivo para defender o Paysandu na Série B), Eduardo (zagueiro expulso infantilmente no fim da primeira partida) e de Neto (artilheiro azulino por fratura de duas costelas na partida de ida da final) mostraram que o elenco do Dragão precisa urgentemente de peças que deem consistência e opções para o trabalho do técnico Waguinho Dias.
O campeonato acaba com sucesso de público e premiação, deixando a expectativa de um Sergipão 26 ainda melhor. Essa é a nossa torcida. E também vamos torcer por Itabaiana e Confiança na Série C, e Lagarto e Sergipe na Série D nacional. E Viva ao Futebol Sergipano!
*é desportista, pai de atleta, torcedor feliz pelo bicampeonato do Dragão e, como todos nós, deseja ver o futebol sergipano cada vez mais forte”.